Mortandade Coletiva
Era um dia comum no metrô paulista pelas 14:00 horas num vagão semi lotado com todos os assentos ocupados, mas poucas pessoas em pé quando uma jovem de 20 anos branca contendo cabelos pretos, longos e lisos se levanta pra descer.
Vendo o assento ser liberado um homem sentado indevidamente numa das vagas reservadas se apressa na ânsia de ocupar aquele lugar pois onde esta é dos idosos, deficientes físicos e gestantes.
Sendo normal ele teria que desocupar daquele assento caso alguém preferencial embarcasse no vagão por isso chega esbarrando num quadril da moça duma maneira tão dissimulada dela nem perceber junto aos muitos outros passageiros indiferentes as vidas alheias ali presentes quando ela saiu, fato ocorrido com sucesso entretanto algo estranho acontece ao olhar para trás com cara feia querendo fazer uma repreensão neste cidadão a garota o vê tremendo, respirando fundo e na boca espumando.
Chamando atenção geral ele solta um gemido estrondoso (ÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔ) enquanto levanta indo na direção dela que tentando se defender ergue suas mãos sendo mordida numa delas, assim perdendo dois dedos. Nisto Outros passageiros notando a situação vão ao seu socorro enquanto ela grita desesperada sendo no total 8 homens tentando contê lo mas segurando apenas com muita dificuldade mesmo tendo uns 50 anos, com cabelos grisalhos, magro e alto.
Eles tendo medo de serem mordidos tentam conter sua cabeça como podem apesar dele ter só interesse em avançar nela querendo devorá-la.
– Esse doido tá com raiva ! (hidrofobia) – Grita um deles com sotaque nordestino.
– Não deixe ele te morder baiano – Gritou outro envolvido na contenção de sotaque nativo.
Nisto um policial fardado que tinha acabado de embarcar perante as portas abertas vem intervir.
– Para todo mundo. O que está ocorrendo aqui ?
Nem precisou ninguém falar para que a cena se explicasse sozinha. Então ele pega algemas na intenção de prender aquele homem com força furiosa tendo ajuda dos populares algemando o louco dando alívio a vítima.
Todos achando que o problema havia acabado, relaxam até aquele homem arrebentar as correntes da algema recomeçando toda confusão outra vez. Nisso mais homens se envolvem agora junto aos pobres primeiros já cansados além dos seguranças guardas ferroviários.
O policial faz os primeiros socorros na mão da moça visando estancar o seu sangramento mas vendo aquele homem novamente incontrolável retira ela do vagão a conduzindo para fora daquela estação onde serviços de emergência no estabelecimento devem levá-la ao hospital.
– Levem ela pro pronto socorro que eu vou voltar lá.
Ele volta à plataforma de arma em punho disposto para matar; conseguindo se afastar de pessoas fugindo apavoradas encontra o condutor que avisa-o.
– Quando vi pelos monitores a cena eu agi conforme o regulamento parando minha composição para dar um aviso de alerta só que isso foi pior, fuja irmão agora tem mais 10 surtados !
Na verdade tinham 9 contaminados vindo em sua direção por isto numa ação instintiva mata 2 antes de ser derrubado pelos outros que o mordem freneticamente, apesar da desaprovação no
gosto despedaçam seu uniforme sem se concentrar nele dando-lhe chance para fuga. Porém infelizmente já era tarde demais pois os sintomas começam seus efeitos fazendo-lhe mudar.
A pequena horda evita novos ataques seguindo pela plataforma como cães farejadores, só que antes de saírem da estação dezenas dos agentes mais brutamontes na segurança pública estão ali.
Eles vão sendo capturados com relativa facilidade apesar do medo evidente de novos contágios nos policiais usando luvas, máscaras e cassetetes.
Levados por ambulâncias, os mais calmos seguem pro hospital no bairro das clínicas, seguidos depois pelos agressivos em viaturas, todos reunidos para blocos de isolamento onde lentamente vem se tornando dóceis. Neste contexto chega o doutor Helder um especialista em doenças desse tipo infecto-contagiosas já assumindo total controle da situação.
– Rápido, preciso que cada um deles seja examinado dos pés a cabeça, recolham amostras pra análise de laboratório e por Nossa senhora mãe de Deus não sejam mordidos tenham cuidado.
– Doutor a equipe esta com temor de ser infectada e na maioria já saiu – avisa uma enfermeira.
– Perigo existe em toda profissão dona Salete. Más se a gente não fizer sacrifício aqui hoje, só Deus sabe como isso vai terminar amanhã ! – Discursa o Doutor.
Disfarçando o próprio medo Helder tenta inspirar os poucos valentes que permanecem dispostos a continuar na equipe de tratamento intensivo. Paralelo às divergências profissionais um paciente apresenta aparente melhora conseguindo dizer inclusive uma palavra.
– Aaaaaaaaaguuuuuuuuaaaa…
Trata-se do primeiro contaminado identificado pelos documentos encontrados com ele, chamado por Daniel Macedo da Silva, um trabalhador que opera máquinas pesadas. Estando visivelmente desidratado é logo atendido com garrafas de água mineral dadas pela chefe da enfermagem.
– Isto não pode ser hidrofobia ou ele jamais conseguiria beber água – Afirma o Doutor.
A prioridade passa pros resultados dos exames de sangue que devem confirmar ou não o caso.
Pensando sobre qual enfermidade esta enfrentando, Helder procura saber da tal moça mordida na outra ala médica naquele hospital.
– Infelizmente não posso permitir que tenha acesso direto a ela por enquanto.
O Doutor Jorge impede seu colega de se aproximar da sua paciente devido a vários motivos e o mais importante deles é a ganância em fazer uma descoberta importante.
Mesmo assim Helder tem permissão para ver as fixas do acompanhamento da Ana Marcelina de Souza ficando incrédulo com tudo que lê.
– Ela foi mordida por um homem Doutor Jorge más isto parece o efeito do veneno de cobra.
Metade da mão dela foi amputada apesar dos 3 dedos serem salvos duma necrose, onde teve na pele algum contato com Daniel trazendo-lhe alta febre mais inflamações generalizadas.
– Também fiquei espantado com estes sintomas Dr: Helder pois esperava algo diferente mas podemos colaborar se me deixar ver também os fichários dos seus pacientes.
Eles concordam em colaborar pelo bem maior daqueles sendo tratados nos leitos entretanto os
resultados das análises laboratoriais são monopolizadas por Jorge que ambiciona muito neste caso.
– Como é possível ninguém ter contraído raiva nem qualquer outra doença identificável !
Resmunga Helder dias depois quando recebe os resultados que darão alta aos pacientes sob sua autoridade, mesmo assim ele consegue manter Daniel e o policial militar Demilsom.
Com atraso em relação aos muitos exames pedidos para Ana, ele recebe após Jorge já os ter analisado sem nada perceber, resolvendo Helder dali por diante fazer suas próprias avaliações antes dela ser liberada, captando amostras de seu sangue escondido e pedindo exames diferentes pagos com o dinheiro dele.
Ana foi diagnosticada com 20 % de DNA neandertal, o maior já descoberto na história contra
0 % (zero por cento) em Daniel aquele tratado como contaminador primário alfa e Demilsom 1%.
Estabelecido um padrão Helder começa a teorizar como algo assim poderia criar este falso caso de raiva especulando se na pré-história alguém adquiriu resistência para doença após comer uma caça contaminada ou foi mordido passando tal mutação aos descendentes.
Possivelmente partículas do vírus poderiam ter aderido aos genes de homo-sapiens sendo ativos
quando encontravam grupos neandertais que eram mais adaptados, fortes, pesados, maiores e tão inteligentes quanto eles.
Os primeiros contatos podem ter sido amigáveis dando origem a híbridos como já documentado
no entanto deve ter avido também atritos com grupos canibais onde mulheres foram raptadas nas aldeias menores acasalando na base da força bruta (estupro) tendo bastante guerreiro territorialista desagradado pela nova concorrência. Nisso nossos ancestrais desenvolvem o novo tipo de defesa natural perante seus inimigos quando sentem o DNA deles.
Devem ser considerados estes fatores pensa Helder indo dividir as suposições com seu colega Jorge uns dias depois, que refuta-os categoricamente.
– A controvérsias quanto a essa hipótese, mas continue – desdenha Jorge.
– De todos os afetados só Demilsom foi mordido. Más os outros tiveram contato com o suor de Daniel apenas. Aí pense comigo se homo sapiens tolerantes a raiva vão usar sintomas da doença contra neandertais transformando mais humanos no processo, tornam-se extremamente venenosos para eles, como comprova sua paciente Ana !
– A teoria pode ser válida, só que não tem como prová-la na prática.
– Tem sim Jorge, vamos expor Daniel ao odor da moça e isso deve despertar o surto de novo.
Em poucos dias as condições foram criadas para jornalistas, médicos e cientistas assistirem tudo.
Dando grande prestígio para Helder como descobridor duma tendência humana, o experimento começa tendo Daniel preso a camisa de força amarrado numa cadeira enquanto é dado-lhe itens
pessoais da moça (roupas, ataduras dos curativos e coisas desse tipo).
Nada saiu como previsto pois não houve reação nem quando trouxeram Ana no lugar deixando
varias pessoas importantes usando mascaras protetoras se sentindo tolas acreditando terem dado credito a um incompetente. Famíliares do cobaia afirmam dele já estar curado por não manifestar
sintomas pedindo sua liberação enquanto o pai dela quer transferila para um hospital particular.
– Como disse antes, nunca se pode tirar conclusões antecipadas sem os devidos testes.
Diz Jorge a jornalistas que tentam entrevistar Helder humilhado e por causa disso, ali calado.
A chefe de enfermagem Salete tenta animá-lo perguntando-lhe o que poderia ter dado errado.
– Não faço a minima ideia mas vou recomeçar minhas pesquisas desdas fitas de vídeo no metrô até os curativos e absorventes que furtei da lixeira dela pra fazer aqueles testes caríssimos !
Jorge achava que subiria de carona numa ascenção do colega caso ele tivesse sucesso, sem ser este o caso começa a boicota-lo defamando-lhe como idiota para tomar seus passientes famosos.
– Esta teoria da mortandade coletiva causada por nós em neandertais é totalmente fantasiosa.
Diz ele a direção que ficou tendenciosa depois daquele fracasso, decidindo dali em diante dar alta para Ana cujo pai influente fazia pressão na sua transferência, depois afastam Helder dando seu cargo ao Jorge após um ritual burocrático de uma semana. Muito satisfeito o ambicioso doutor planeja comprar novos jalecos pois os dele lembram mais a dum curandeiro medieval coberto por manchas irremovíveis mesmo usando lavanderias especializadas.
Naquele primeiro dia Salete ajuda Helder na mudança de sala levando seus últimos objetos pessoais no novo local onde trabalharia naquele hospital.
– Ainda assistindo esse vídeo do metrô. Nem parece ter sido há um mês, não é mesmo ?
– É, eu ainda sinto como se tivesse deixado passar alguma coisa que tá embaixo do meu nariz dona Salete mas fico travado numa área nublada. Se ao menos tivesse acesso direto a moça !
– Poxa vida, doutor Helder, o seu amigo da onça não deixava ninguém fora da equipe dele se aproximar daquela menina. Nem sei como conseguiu convencer a turma da faxina pra te ajudar.
Ele ia dizer que subornou eles quando notou em seu aparelho celular a imagem de sangue da Ana espirrando no soldado Demilsom, aí adiantando o vídeo vê seu uniforme ser destruído. Mais para frente percebe um comportamento de perdigueiros perseguindo caça enquanto ignoram as outras pessoas. Então pensa como esse gatilho foi ativado lá e não aqui.
– Salete, eu sou muito burro. Na lixeira tinha um absorvente porque ela estava prestes a ficar menstruada naquele vagão liberando litros de feromônios num ambiente climatizado fechado.
– Eita Doutor, se a culpa tá no ciclo dela, nós vamos ter o problema voltando nesta semana que completa um mês do surto na estação da Luz.
– Pior meu bem, ela estava no período da ovulação naquele dia, assim como quando saio daqui.
Nisto Jorge vai assumir o novo posto todo orgulhoso pois quando cuidou de Ana ganhou serta
notoriedade nas mídias fazendo ele se envaidecer com a fama, não podendo perder um oportuno
acesso ao mistério da raiva retrocedendo em alguém.
Se mantendo famoso ele espera sair da rede pública indo trabalhar num bom hospital particular, quem sabe até abrir seu próprio consultório, pois foi por isto que apoiou Helder antes do fracasso.
Entrando na sala de infectados vai no leito dos últimos mantidos, lá repentinamente a temperatura de Daniel sobe para 45º graus centígrados, seus poros soltam suor como bicas, dando o gemido assustador e partindo disparado contra Jorge que fica num pânico paralisante.
Derrubando enfermeiros de surpresa feito bonecos sem vida ele agride Jorge com tanta violência
no pescoço que sua morte vem como um bálsamo, mesmo assim ainda com a boca espumando Daniel rasga o jaleco despedaçando-lhe nas mãos puras.
Vendo tal cena, Demilsom dá o alarme retirando todos dali sem tentar contê-lo, depois tranca ele no setor esperando que durma pelo efeito sonífero do clorofórmio liberado pelos enfermeiros.
Horas depois Helder explica que tanto Jorge como sua equipe tinham as roupas encharcadas de
feromônios da Ana esclarecendo finalmente qual era o gatilho para iniciar aquelas reações.
Dias depois Ana esta numa afastada residência vivendo com pessoas de imunidade natural ao gatilho pois tem no DNA 2,3 % de genes neandertais; recebendo mensalmente para quebrar o isolamento visitas médicas como a do doutor Helder que descobriu várias novas facetas destas condições humanas enquanto escreve sua tese de mestrado para comunidade científica baseada nas descrições deste caso. Então atendendo uma chamada via celular a jovem pede pro pai…
– Não sei quanto tempo vou aguentar ficar aqui nesse fim de mundo, eu preciso viajar !
– Calma filhinha, ao menos aí não há perigo de ninguém virar zumbi pra te matar.
Lá fora, alguns trabalhadores caminham conversando pela divisa da fazenda tipicamente baiana admirando as placas na cerca advertindo transeuntes para manterem distância.
– Eita Raimundo, quando eu morava por aqui essa cerca dava sempre pra pulá e pega as manga mais gostosa de doce, agora veja como [reforçaro] a danada.
– Tá quase no tempo de manga desse ano Tião, quando começar nós pula pra tu matar saudade
[dispois] de passar 10 ano [im Sum] Paulo.
– Má e as placa Raimundo, num tem perigo dum guarda vim mexer cá gente.
– Pode ser, só que tu num disse que segurou um pião cum raiva no trem de [Sum] Paulo; então se tiver guarda tu segura ele também kkkkkkkkk.
– Eita Raimundo exagerado; te disse que ajudei a segurá um cara babando igual bicho cum raiva no metrô de São Paulo. O bichão era forte demais pra só eu e quase [matô] uma moça na dentada suando feito às peste do cão !
Evitando dizer que ficou 15 dias de observação hospitalar ele segue caminhando com o amigo.
FIM
Sim é possível que humanos tenha trazido doenças fatais aos neandertais más a ciencia não comprovou nada (ainda).
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