segunda-feira, 9 de março de 2026

  título : VAMPIROS (ORIGENS)                       

   A 14.000 anos no passado uma cidade estado se encontrava no seu auge incontestável dominando todo o mundo. 

  Ela se chamava Atlântida e seus governantes detinham além do poder político o acesso aos mistérios cósmicos do universo.

  (Plano geral de uma cidade futurista circular com canais aquáticos externos e internos circundando a área urbana com pontes interligando suas camadas urbanas, tendo naves flutuando por toda parte rente as suas torres espelhadas).

  Da varanda de uma torre seu rei observa deslumbrado por tanta opulência enquanto medita sobre a “brevidade” da vida.

  -Majestade, aqui estou como mandou !

  -Conselheiro Rur, que bom não ter demorado. Como foi na missão com os sacerdotes…

  Interrompendo a pergunta do rei, o conselheiro tenta gentilmente explicar todas as implicações do seu desejo que tentou satisfazer.

  -Meu Rei a todos que perguntei tive sempre as mesmas respostas da qual imortalidade é anti natural e te fará mais mau do que bem.

  -Rur olhe comigo a beleza do meu reino. Veja quantas maravilhas e uma vida só mesmo sendo tão longa quanta a minha é pouco demais. Eu quero ser rei pela eternidade.

  -Meu senhor o único a aceitar fazer tal feitiço me informou de vários perigos sobre os procedimentos e por isto nunca tentados.

  -Então deixe que ele mesmo me fale quando estiver fazendo os preparativos do meu deuzificamento.

  Falando iluminado sob o sol do entardecer ele já parece uma deidade. horas depois num cemitério afastado da cidade o sacerdote lhe explica os detalhes daquela situação a qual procura imprudentemente. 

  -É bom que saiba antes de mais nada que eu estava procurando para mim mesmo uma forma de ser imortal indo então me aconselhar com os mais vis demônios do submundo até achar esta fórmula macabra. Mesmo acertando todos os cânticos entoados ainda assim é penoso ter que tirar a vida de outros para continuar imortal. Além disso, jamais terás filhos por isso não fiz pra mim mesmo o que quer feito a ti.

  -Acho um preço pequeno a se pagar pelo meu desejo sacerdote.

  -Serás pra sempre um filho das trevas meu rei tendo o sol como teu maior inimigo.

  -Não importa filhos eu já tenho e com a medicina “moderna” estou vivo por 90 invernos com muita saúde. Más não quero morrer como todo mortal pra meu sucessor gozar das minhas conquistas sem no mínimo minha experiência.

  Ele aparenta ter uns 50 anos, porém este povo possui uma medicina muito avançada que suprime o envelhecimento em décadas. Daí com o sacerdote convencido de sua decisão começam os preparativos do ritual. 

  Ao redor de um altar está o rei, seu conselheiro, alguns guardas leais, uns servos e o sacerdote.

  Como ornamentos cerimoniais estão reunidos cordões de alho, velas coloridas, uma bacia de prata, uma estaca de madeira e um morcego hematófago.

  Os servos dão ao sacerdote punhados de areia das tumbas, daí ele se ajoelha entoando cânticos louvando demônios abissais. Nisso, ventos frios sopram arrepiando a todos enquanto o sacerdote ergue os braços para ver toda areia ser levada das suas mãos pelo vento.

  Ai ele enfia a estaca no coração do morcego derramando seu sangue na bacia de prata para em seguida dar ela ao rei.

  -Beba meu rei. 

  Vendo a repulsa do rei ele insiste.

  -Não demore, o senhor tem de beber antes do sangue esfriar ou as forças demoníacas vão retirar seus poderes da bacia.

  Demonstrando muito nojo ele bebe o sangue da pequena bacia se sentindo mal em seguida.

  ⁻Que estranho não estou sentindo meu coração, de repente estou sentindo tudo em mim frio e estou tendo de fazer esforço para respirar.

  -As mudanças começaram senhor meu rei; se quiser parar o momento é este…

  -Jamais. Eu estou esperando por este momento a anos. Eu me sinto bem. Más á uma sede na minha garganta que só cresce.

  -Sim o ritual está dando certo; agora só falta aplacar sua sede dai apoś isso não haverá mais volta. Tome minha serva em seus braços meu senhor e apenas deixe os instintos agirem. 

   O rei abraça ela pelas costas gentilmente nesse primeiro momento sentindo seu cheiro enquanto 

toca sua pele morena em barriga, seios e ombros.

    Logo sua força aumenta descontroladamente a deixando desconfortável nisso, unhas e dentes viram garras e presas. Ele a morde no pescoço sugando-lhe o sangue por instinto desajeitadamente no começo quando um filete sanguíneo escorre pelo seio direito nela agora exposto assim adquirindo algum tipo de habilidade nenhuma gota se perde até ela estar totalmente sugada. 

  -Aconteceu algo comigo que não sei explicar.

  O rei fala de forma confusa como quem não entendeu o que aconteceu naquele instante.

  -Este é o ponto sem retorno do grande rei. Tu agora viverá para sempre mas terá de se alimentar tirando a vida dos outros viventes.

  -Conselheiro pague a ele seu peso em ouro e vamos embora.

  -Antes de partir se lembre meu rei: durante o dia perderá seu poder tendo sono, não fique sem se alimentar muito tempo e símbolos de proteção como talismãs podem te fazer mal.

  -Tudo bem sacerdote más se mantenha acessível quando eu precisar de você.

  Assim o rei parte com seus asseclas enquanto o feiticeiro e seus servos ficam contando seu ouro.

   Conforme os anos vão passando mais o rei vai sendo idolatrado ou demonizado pelo povo que está sempre testemunhando fatos incompreensíveis como sua falta de reflexo nos espelhos ou a constante ritualização dos sacrifícios humanos secretos

   -Magnânimo rei é com pesar que vos peço aceitar meu filho como meu sucessor para servir a ti igualmente fiz nesses tantos anos.

   -Nunca haverá um conselheiro tão leal e sábio quanto tu meu querido Rur. Maś se é teu desejo me deixar pondo seu filho no lugar eu te concedo isso e mais um sustento até o fim da sua vida.

   Rur se inclina em sinal de respeito e agradecimento.

   -Obrigado meu rei !

   -Agora você meu novo conselheiro, como minha primeira ordem é vá ao sacerdote Louti Malus e o traga a mim urgente.

   -Sim meu rei.

   Assim Rufo, filho de Rur partiu para voltar horas depois com Malus que é agora o feiticeiro oficial do reino e superior a qualquer sacerdote.

  -Malus você andou sumido da corte !

  -Estive a procura de ingredientes para meus feitiços meu rei. Nada importante.

  -Eu decido a importância deles.  

  -Com certeza meu rei.

  -Venha comigo, tenho assuntos particulares a tratar contigo.

  Saindo da sala do trono eles vão aos cômodos reservados à família real numa fonte semelhante às piscinas modernas onde uma linda mulher nada com suas servas e longe delas o rei diz qual é seu desejo.

  -Aquela é Salunia, minha esposa mais jovem e que mais amo. Quando estive com ela na noite passada eu terminei contando sobre nosso segredo do feitiço da imortalidade…

  -Me deixe adivinhar o resto : Ela também deseja ser imortal.

  -Sim feiticeiro e tu agora também és adivinho ?¹

  A ironia real vem com tom de pergunta prontamente respondida antes duma possível irá real.

  -Apenas deduzi meu senhor, após seus dois filhos mais velhos me intimaram a fazer neles o feitiço que fiz em ti.

  -Más nunca contei a eles ! 

  -Alguém mais deve ter comentado, certamente alguém que já sabia pode ter falado.

  -Eu dei ordem de manter segredo aos que me acompanharam naquele dia, se qualquer um me desobedecer todos serão condenados à morte.  

  -Me refiro aos meus servos mesmo. Eles não são tão confiáveis como já foram antes de irem à corte real. Pegaram amor ao ouro e repulsa as virtudes.

  -Cuidarei disso em breve, más tu não fará o que meus filhos mandaram !

  -Nunca sem sua ordem senhor eu os iludi fingindo procurar ingredientes que possuo escondido. 

    Ambos riem até o rei perguntar se os ingredientes são suficientes para Salunia ser imortalizada.

    -Meu rei basta beber o sangue dela e depois oferecer um pouco do seu a ela. No entanto, jamais haverá outro tão poderoso quanto tu és. 

    -Más eu quero que faça outro ritual e deixe ela igual a mim.

    -Para isto acontecer ela deve matar a ti e sugar todo seu sangue só aí será igual mas enquanto tu viver não haverão iguais ou superiores ao meu rei.

    -Tu deveria ser como eu Malus e me servir pela eternidade.

    -Não posso pagar o preço de viver para sempre como meu senhor.

    Ambos riem o rei por achar engraçado e Malus de puro nervosismo ao sentir a aura dele ainda mais escura do que antes de lhe ver pela última vez. Daí um é mandado embora acompanhado por guardas e o outro vai cair nos braços da mais bela em seu tempo.

   Salunia sai da água morna ao notar seu marido vindo em sua direção sendo coberta pelas servas com toalhas felpudas e brancas.

   Eles se abraçam dando um beijo quase interminável como quem tem toda felicidade do universo para se aproveitar a dois.

   -Meu amor tenho ótimas notícias pra te dar. O feiticeiro que me imortalizou acaba de me ensinar uma forma para fazer de ti uma imortal também.

   Seus olhos quase brilham ao escutar essas palavras, pois mesmo sendo mais jovem do que alguns filhos dele, ela percebe seu próprio envelhecimento enquanto ele se mantém imutável daí para lhe trazerem outra esposa mais nova será como num estalar de dedos.

   -Altemaquilope meu marido e soberano. Tu fará tal procedimento só comigo e com nenhuma outra mais pois das tuas oito esposas não serei sua mais amada !

   -Ora meu bem.

   Perplexo pela ousadia dela lhe impor tal proposta o rei Altemaquilope ainda tenta resistir más é vencido pelos encantos da sedução naqueles olhos negros penetrantes. Assim ele consente inclinando a cabeça em submissão daí a pegando pelos cabelos cacheados continuam o beijo.

   A cansativa tarde vai acabando enquanto os afazeres reais do dia vão sendo resolvidos para nada o distrair durante a noite más sobrou uma última coisa que não poderia deixar passar…

   -Meus filhos amados Aquimontepe e Aquimom se aproximem.

   -Meu pai, que surpresa nos convocar assim de tão súbito !

   O mais velho Aquimontepe é o primeiro a se manifestar más já demonstrando medo.

   -Tu bem sabes o porquê disso não é !

   Ao falar ele demonstra um tom de voz ameaçador enfatizando num olhar que ainda nem sabe ser hipnotizante então os filhos indefesos começam a confessar.

   -Eu convenci Aquimom a subornar os servos do teu feiticeiro real e descobrimos tudo que fez pai ai desejamos ter o mesmo poder forçando Malus para refazer todo feitiço.

   -E eu coloquei uma espiã entre as servas de tua esposa Salunia e descobri a sua intenção de tornar ela uma deusa como você.

   Sua expressão rapidamente muda de pai irritado para um monstro furioso então agarrando cada filho por um braço os ergue como plumas sem peso.

   -Nos perdoe pai !

   -Prometemos nunca mais tentar tal afronta.

   -A más estando mortos vocês não tentarão afrontar a mim nunca mais.

   Horrorizados todos na sala ficam paralisados de medo, menos Rufo que argumenta com lógica tentando amenizar tanta ira.

   -Meu rei sendo eles príncipes seria mais digno uma execução pública na mão do carrasco.

   -E ter de explicar os motivos de executar meus filhos ao povo ! Não seja idiota a origem de minha divindade devera ficar em segredo.

   -A mais podemos acusá-los por qualquer outra coisa meu rei para uma melhor justificativa .

   -Sim talvez possa acusá-los de traição… Ah mas teremos de esperar até amanhã pois hoje tenho outros afazeres e certamente a mãe desses infelizes vai aparecer implorando por eles.

   -Sim pense em nossa mãe, sua primeira esposa que tanto nos ama.

   -Aquimontepe meu primogênito tu devia ter pensado nela quando tramou roubar meu dom.

   -Agora vejo que foi tolice. Más qual filho não quer ser igual a seu pai ! 

   Com estas palavras Aquimom parece ter trazido o pai de volta a sanidade que soltando ambos manda os guardas prendê-los.

   -Rufo não quero ser incomodado por mais nada hoje e só amanhã decido sobre estes moleques. 

   Saindo do salão real, o rei parte pras áreas particulares do palácio em busca da sua paixão.

   -Altemaquilope eu estava te esperando meu amado rei.

   Salunia estava vestida em seda transparente do pescoço aos pés descalços que pisavam tapetes coloridos de um quarto decorado evidentemente por mulheres como as servas passando perfume em sua mestra e se preparando para sair deixando o casal mais à vontade.

    -Não saia você estrangeira.

    -O que quer com ela meu amor !   

    -Ora esta é a espiã que meus filhos infiltraram aqui. Se acalme e pergunte a ela o que andou contando pra eles de nossa intimidade.

     -Muito bem Maluria me conte tudo e não ouse esconder nada ou mentir pra mim.

     -Falei tudo que escutei a senhora conversar comigo ou com as outras.

     Ao responder ela leva um tapa de Salunia que logo é contida pelo rei segurando seu braço.                                                                                  

     -Calma querida nós vamos precisar dela para nosso ritual, seja gentil.

     -Qualquer outra poderá substituir esta traidora.

     -Me perdoem meus senhores, eu retornarei aos aposentos da primeira esposa de onde Aquimom nunca devia ter me tirado, com sua licença.                                                      

      -Já disse que a quero aqui pro ritual, agora façam as pazes vocês duas.  

     Ele as pega pelos cabelos na nuca primeiramente, pondo elas em sua frente para depois colocá-las tão próximas uma da outra que podem sentir a mútua respiração. Entendendo tal situação o beijo delas acontece espontâneo se tornando triplo com Altemaquilope também participando.

     Logo ele expõe os seios de Maluria soltando seus cabelos rastafari para por Salunia a mamar o esquerdo enquanto se concentra no direito.

     A cena vai ficando cada vez mais quente até eles irem para cama formando um perfeito trisal.

     O Sexo entre eles parece sem fim até elas ficarem exaustas assim Altemaquilope morde Salunia no pescoço sugando metade de seu sangue para em seguida cortar com a própria unha uma veia do pulso esquerdo dele dando pra ela beber.        

      Em poucos segundos Salunia dorme profundamente enquanto ele fica deitado entre as duas descansando sobre seu peito despido.

      -Meu rei tu é insaciável; agora sei porque tuas esposas te amam tanto, ha ha este membro não cai nunca, ha ha más eu preciso dormir um pouco também.

      -descanse estrangeira logo iremos precisar dos seus serviços.

      -Oh sim para o grande ritual ! Que bom não se importar de eu ter falado ao seu filho.

      -Tudo bem, só prometa não contar mais nada a ninguém. Agora durma.                    

      Ela consente com a cabeça e também dorme.  

      Já é alta madrugada quando Salunia acorda desesperada como se desperta de um pesadelo e morrendo com uma sede insaciável. Ela vaga pelo quarto procurando água nos potes e depois vinho nas jarras sem resultados positivos.                                                                

     Ele a abraça por trás lhe dando uma sensação de segurança depois traz ela pra cama pedindo sempre que fique calma. Nisso, Maluria acorda um pouco espantada, sendo hipnotizada até ficar paralisada assim sua mestra é aproximada dela e os instintos ajem. Seus dentes caninos estão pontiagudos perfurando a carne macia e negra de pescoço sem resistência.

      Totalmente sugada, a serva cai na cama morta enquanto Salunia não sente mais sede.            

      -Então é assim que você vê o mundo ! É tudo tão colorido e a noite lá fora pela janela eu posso olhar tudo que se esconde nas sombras !                                                                           

      -Más logo vai amanhecer e a luz do sol vai te deixar cega e com muito sono.

      -Não sinto nada agora, vamos para varanda.

      -Claro! Más vista algo antes, não é digno sermos vistos nus lá fora.

     Ela está fascinada escutando os sons da noite num volume nunca ouvido antes enquanto ele a abraça novamente por trás beijando sua orelha tão fria quanto seu corpo inteiro.

      -Só de pensar que pelo resto da eternidade minha vida será assim eu não me contenho de emoção; veja estou até chorando sangue.

      -Você terá algumas mudanças como te disse antes más não sabia disso, porque eu não chorei desde aquele dia no cemitério e o gosto do sangue hoje pra mim é delicioso porém quase me fez vomitar na primeira vez que experimentei numa bacia prateada. 

      Ela está chorando de felicidade empinando o corpo naqueles braços aconchegantes quando amanhece. Lentamente a luz solar vai cortando aquele horizonte surrealista onde enormes torres tecnológicas convivem entre árvores cheias de pássaros recém acordados  pelo nascer do sol e fazendo então seus cantos matutinos. O céu diminui espetaculares brilhos de estrelas para liberar tonalidades em azul inacreditáveis apenas vistas por este casal. Assim nosso astro rei desponta pelo começo da sua coroa formando arco-íris multicoloridos,

    -Vamos entrar antes do sol nascer totalmente ou ficará horas sem enxergar.

    -Espera Altemaquilope, é tudo tão lindo, me deixa ver um  pouco mais, prometo jamais olhar direto pro sol.

    -Está bem, desfrute a sensação do seu primeiro amanhecer, pra falar a verdade eu também não consegui parar de ver o céu em meu primeiro dia.

    Eles demoram mais alguns segundos no entanto a luz se torna insuportável aos olhos feitos para as trevas aí Altmaquilope tenta trazer ela pro quarto com mais força e gentileza juntas.

    -Venha amor, já é hora.

    Ao tentar movê-la novamente, Salunia se desfaz como uma estátua de cinzas e pó ainda nos braços dele. 

    Seu grito de desespero acordou não só seu palácio más toda redondeza adjacente. 

    -SALUNIA, SALUNIA, NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOO!…

    Os guardas foram os primeiros a chegar seguidos por servos aí bem depois vem alguns conselheiros que convivem nas dependências palacianas como Rufo.

    -Meu senhor, rei Altemaquilope como, como posso eu ou qualquer um de nós lhe ajudar ! 

    O rei está chorando lágrimas de sangue ajoelhado no chão com a roupa da esposa e coberto por cinzas numa cena lamentável nunca vista antes pelos presentes aqui.                                  

    -Ela morreu !  

    -Ela, quem senhor ? Só a uma serva morta na cama ! 

    Furioso, o rei agride Rufo com um soco más sem poderes anulados pelo dia nosso conselheiro dedicado apenas cai.       

     -Idiota não é dela que falo ! É de minha esposa; ela morreu e virou pó.

     Sua fúria agora dá espaço a revolta. Enquanto ainda do chão Rufo pergunta como aconteceu.

     Tal pergunta reverbera pela mente do rei, que nada respondendo chama os guardas para acompanhá-lo aos aposentos de Malus.

     Dando voltas em corredores após descer lances de escadas eles chegam na porta dos aposentos e sem a mínima paciência pra esperar abrirem portas depois das batidas Altemaquilope

manda arrombar.

     -Malus eu ordeno, apareça agora !

     -Nosso senhor partiu ontem pela madrugada meu rei sem dizer onde iria nem quando voltava.

     -Guardas, prendam todos os servos dele nas celas mais profundas e incomunicáveis daqui. 

    Com ordens de prender e trazer onde quer que esteja os guardas procuram Malus por toda Atlântida porém os dias viram meses sem nada encontrarem.                  

    Sentado em seu trono com inconsolável tristeza o rei está assustador para seus súditos que cada vez mais procuram se afastar dele mesmo assim sua primeira esposa vem visitá-lo na companhia de alguns netos deles.

    -Boa tarde meu marido, como faz dias que não me procura vim te visitar.

    -Minardia, se veio pedir por aqueles moleques sem juízo está perdendo seu tempo porque ainda estou de luto por Salunia.   

    -A perda de uma bela jovem como ela deve ser devastadora mesmo, será que ficaria tão arrasado assim se fosse eu no seu lugar ?

    -Não é hora para me impor ciúme mulher !

    -Más é claro que não estou enciumada meu marido ou nunca daria minha benção na cerimônia de teu casamento com ela. Só queria saber se daria tanta importância a mim quanto está dando pra única esposa sem te dar filhos.

      -Talvez eu deva te matar e descobrir !                                                                           

      -Mataria a mulher que mais te amou na vida depois de 60 verões dum casamento sem brigas !          

      Minardia tem um jeito de impor sua vontade indiretamente usando uma psicologia sombria que manipula suavemente. No entanto ela tendo 82 anos (aparentando só 40) não garante com     tanta experiência influenciar mentes conflituosas por isto ela põe no colo dele seu neto mais novo porém ao invés de comover tal ato desperta sede nele.

      -Tira essa coisa de cima do meu colo !

      Vendo que assustou a todos no salão real ele tenta disfarçar sendo indulgente com os filhos.

      -Tudo bem Minardia você venceu. Vá tirar aqueles trastes da cela, só cuide pra que eu não os veja em minha frente tão cedo.

      -O,obrigado meu marido !

      Ela agradece gaguejando visivelmente assustada enquanto ele percebendo que se excedeu também sente ter ficado muito tempo sem “alimento”.

      Horas mais tarde ele desce as masmorras procurando a sela dos servos de Malus com justificativa de interrogatórios sobre quem vendeu seus segredos aos filhos porém sugando cada um deles por dia. No quinto uma coisa inusitada aconteceu pois este era também um aprendiz do sacerdote portando amuletos para proteção espiritual neste formato )(.

     -Maudito, eu bani todos os símbolos religiosos do palácio !

     -Quando os outros não voltaram pra sela desconfiei que não estavam sendo soltos. 

     -Retire este colar imediatamente !

     -Pra você me sugar até a morte; não seja idiota ! Além disso, comi alho todo dia, meu sangue estará amargo para você.

     Neste momento ele chama os guardas do lado de fora da sala dos interrogatórios.

   -MATEM ELE !

   Os guardas dizendo, sim meu rei, partem pra cima do prisioneiro como maquinas.

   -Espere, antes que me matem, escute. Louti Malus me confessou na noite da partida dele estar com muito medo do senhor …

   -Esperem guardas; continue pequeno infeliz.

   -...medo porque seu poder só aumenta com o tempo e com isso a influência demoníaca também cresce em teu espírito.

   -Só isto ?

   -A mais sim, prometa me deixar vivo e livre com os outros servos depois de falar.

   Ele apenas acena com a cabeça e o jovem de traços indígenas conta o que sabe como qualquer imortal criado agora por ser mais fraco será facilmente destruído além de outras coisas.

   -Estou satisfeito, você vai ficar vivo más não posso souta-lo. Prendam ele com os outros 3.   

   É lógico que mesmo sendo imortal ele pode ser destruído e só Malus sabe como então mesmo com todo seu conhecimento sobre seu novo estado de vida silencia-lo se faz essencial mas as providências devem ser tomadas primeiramente nas questões essenciais. Logo campanhas de conquistas são anunciadas nos reinos bárbaros para capturar escravos. Assim, lugares naquela época tidos como atrasados são atacados por exércitos invencíveis.

   Da América do norte a Europa milhares de humanos vivendo ainda em estado da pedra lascada são trazidos para capital e mantidos bem alimentados enquanto esperam o dia do abate. 

   Tal ação não passa despercebida pelas nações subordinadas que veem estas invasões como descabidas ou ameaçadoras.

   -Conselheiro Rufo, é bom tê-lo de volta e soube que seu velho pai está doente; como ele anda ?

   -Mal meu senhor, nossa família espera seu falecimento para breve.  

   -Que pena más vou visitá-lo por estes dias, avise os seus parentes.

   -Obrigado senhor meu rei, agora se me permite a questões muito sérias para tratar.        

   Rufo explica sobre as desaprovações na baixa e média Atlântida (atuais Américas do sul, central e México) berço das civilizações Astecas, Maias e Incas. 

   Situação também desfavorável nos reinos submissos da África (dominada pelo Egito), Ásia (comandada pelos sumerianos) e Oriente (sob controle indo-chines).             

   A opinião geral é de que ninguém apoia arrebatamentos de nativos atrasados se a tecnologia mundial desta época já os leva até no espaço. Somando nisso corre por toda parte o boato nefasto sobre nobres atlantes usarem selvagens como alimento.                                                                   

   -Nada disso nos afetará, afinal de contas Rufo nós dominamos cada nação civilizada do mundo.

   -Sim meu rei más precisamos que estas nações colaborem conosco de espontânea vontade para facilitar nosso domínio pois não podemos dispor tropas em toda parte ao mesmo tempo.         

    -É só ameaçar eles com nossas armas de destruição total e se calam outra vez.

    -Não se usam machados para destruir moscas meu senhor.

    -Ora eu lembro de ter escutado isso do seu pai, vejo que ele te ensinou bem Rufo…           

   Naquele mesmo dia o rei vai visitar seu velho conselheiro Rur num provável leito de morte.                     

   Ao entrar na casa um leve mau estar se apodera do monarca, coisa logo sumida e esquecida quando ele é convidado a entrar nos aposentos do morimbudo.                    

    -Ola meu bom Rur !

   -Meu rei quanta honra (muita tosse cof, cof). Me perdoe não poder ficar de pé para saudá-lo. 

   -Eu entendo e muito mais do que isso Rur eu posso torná-lo saudável para sempre ao meu lado é só dizer sim.

   -Meu rei eu tive uma vida maravilhosa, quando jovem fiz e experimentei tudo que quiz. É tão bom saber de sua vontade em querer me manter contigo, mas já tenho quase 200 verões. Devo agora partir (cof, cof mais tosse) deixando meu herdeiro te servir.

   -Não é preciso deixar ninguém em seu lugar.

   -É sim meu rei, estou ansioso pela grande viagem (cof, cof, cof, cof). Me perdoe por te negar esse pedido, mas este velho precisa de descanso (cof, cof).

   -Eu poderia te ordenar que aceite.

   -E eu obedeceria como sempre meu rei (cof, cof). Más pense em como eu estaria infeliz sem poder apreciar contigo o pôr do sol sobre as sacadas palacianas e admirar a cidade (cof, cof).  

   -Tudo bem Rur, me convenceu. Só espero que teu filho me sirva tão bem quanto você servil meu pai e a mim.

   Tocando as mãos enrugadas do morimbudo ele se despede como quem ainda não quer partir, mas sem propostas para convencê-lo é melhor permitir que negue seu último pedido.

   Dois dias depois Rur morre recebendo eventuais honrarias fúnebres com a presença do rei que inclusive se demorou no evento. Um conselheiro neste reino ocupa várias funções como: mentor,  professor, ministro, mordomo e faz tudo do rei.                                

    Sendo uma carreira que exige muito preparo intelectual, só grandes sábios são admitidos nela com a maior das qualidades, uma fidelidade canina. 

     Conselheiros podem até governar numa eventual ausência do rei então devem ser preparados desde crianças pro cargo hereditário daí assim que Rufo cremar os restos mortais do pai é chamado aos aposentos particulares do rei;

     -Seu pai vai me deixar saudades !                                                          

     -Espero me igualar a ele um dia meu rei.

     -Bem se assim o fizer posso te dar ainda em sua juventude o que seu pai não podia mais saborear estando numa idade tão avançada. A imortalidade.                                                                      

     -Senhor meu rei espero que não entenda como um insulto más prefiro seguir os passos de meus ancestrais sendo cremado por meus filhos.                     

     -Saia !                     

     Sem nada acrescentar, Rufo sai do quarto imediatamente sentindo ter deixado o rei irado, no entanto ele está apenas decepcionado e vai até sua varanda admirar outro entardecer.                   

    Os boatos sobre sua crescente sede se espalharam por toda parte criando um clima de medo constante, afastando pessoas dele mesmo sendo familiares carentes por atenção como suas esposas que antes esperavam ansiosas o dia de sua visita nos seus aposentos. 

    Paralelo a tais acontecimentos sua aura está cada vez mais escura e cada ser humano pressente isto de alguma forma mesmo assim Minardia o procura.

    –Esposa, o que deseja agora de mim ? 

    –Desejo te fazer companhia já que está se tornando cada vez mais lúgubre como um fantasma. 

    –A solidão lapida meus pensamentos.                                                    

    –Já vi este salão real tão cheio de pessoas que era difícil andar por aqui. Agora tu manda teus súditos se afastarem por causa dum interminável luto.

    –Não ordenei que ninguém se mantenha distante, no entanto eu permito por notar o temor deles. 

    –Comparado a teu pai, tu nem é tão cruel assim então porque todos exalam tanto medo ? !

    –Não sei e tão pouco me importa Minardia, agora diga logo o que deseja porque conheço teus sortilégios muito bem e com certeza quer algo de mim.                                            

    –Quero muitas coisas, porém nem mesmo você pode me dar um terço da metade do que quero.

    –Minardia ?!!!

    Sentindo que está enfurecendo o rei ela revela tentando esconder seu pavor daquelas garras.

    –Quero que perdoe nossos filhos mais velhos porque sinto saudades deles e as suas esposas sentem mais ainda, porém temem vir pedir a ti. 

    –Neste segundo ele libera dentes pontiagudos se aproximando dela com todo ímpeto de ferir.

    –Aqueles inconsequentes !           

    –Eles só queriam ser como você e não tiveram culpa em nada que aconteceu depois.

    Ela fala isso de olhos fechados já esperando uma morte cruel e rápida dele que se aproxima.

    –Você tem razão Minardia. Está na hora de perdoá-los mas com uma condição.

    –Qual ?

    –Primeiro quero conversar a sós com cada um depois decido seu destino.

    Quando ela abre os olhos ele está com aparência normal ao menos por fora.

    –Posso chamar eles de onde estão para frequentar a corte meu marido ? Sem represálias ?!

    –Sim !

    Mais tarde naquela mesma noite eles chegam ao salão real e seu pai os chama para sacada para apreciar a noite estrelada enquanto conversam sobre seus propósitos de vida.

    –Eu entendo agora após refletir muito que o papel de um príncipe depois da morte do rei é competir com seus irmãos para definir uma linha sucessória. Porém sendo imortal nunca vou deixar vocês cumprirem seu propósito na vida me fazendo ter duas alternativas a escolher.

    Ele faz uma pausa dramática que quase mata de apreensão Aquimom o mais inteligente deles.

    –Eu não tenho pressa nenhuma para isto pai; por mim o senhor pode reinar eternamente. Não a rei melhor que o senhor.                                                                    

    –Aquimom, sua bajulação não fará diferença em minha decisão.

    –Por favor meu pai, estamos felizes em seu reinado perene, não é preciso se preocupar conosco.

    Logo Aquimontepe entende que falam sobre algo ainda não dito e foi perguntar no ouvido do  irmão o que era. Nisso com ouvidos poderosos escutando sussurros igualmente a gritos seu pai diz.

     –É bem simples, um rei imortal não precisa de sucessores : ou abdico do trono ou mato todos os meus herdeiros. 

      –Ou nos tornamos herdeiros para sempre como você. 

      –Aquimontepe seu idiota o sacerdote que fez esse feitiço sumil.

      –Sim, mas nosso pai pode fazer o procedimento sozinho, não lembra...

      –Aaaa ! Vejo que sua mãe vem mantido vocês bem informados.               

      –Só de boatos meu pai… 

      Ambos sabem que podem morrer com um simples gesto do pai, então medem suas palavras ao máximo, no entanto Altemaquilope já havia decidido transformá-los apesar dos deslizes do filho mais velho.

      Ele abre com as unhas (garras) pequenas feridas nas palmas das mãos opostas aos dedos daí faz os filhos beberem dali mesmo. Naquele segundo eles sentem dores intensas e caem no chão.  

      –Guardas levem eles aos meus aposentos depois chamem algumas servas da mãe deles pra cuidar de ambos. Não quero nenhum membro da família real fazendo visitas lá enquanto se recuperam, entenderam ? !

      Os guardas responderam sim indo cumprir as ordens urgentemente enquanto Minardia fica curiosa perguntando o que ouve sendo respondida direto pelo rei.                           

   –Apenas concedi seu desejo e os deles…                               

   –O que fez a nossos filhos ? !

   –Fiz o que queriam. Amanhã eles acordam como deuses. Agora vou visitar meus outros filhos e filhas. Quer me acompanhar ?                                                                         

    –Depois, primeiro quero ver como ficarão meus filhos.

    Ele avisa os guardas para trancar seu quarto, repete a ordem proibindo visitas aos príncipes, da novamente sua mão já cicatrizando para Minardia como quem convida novamente e fala.                               

     –A última coisa que eles vão querer ver é a mãe quando acordarem, pode acreditar em mim. Pra ambos já vão bastar suas 4 servas que mandei cuidar deles agora venha, não me faça repetir.

     Ela obedece segurando sua mão daí seguindo pelos corredores palacianos causando correria nos servos que gritam a cada passo: LOUVADOS SEJAM O REI E A PRIMEIRA ESPOSA !

     Juntos vão visitar seus filhos e netos que já são adultos, evitando as crianças em cada aposento. 

     Ali as mesmas perguntas são feitas para os herdeiros e eles em particular respondem se aceitam ou recusam a dádiva oferecida pelo pai. Homens na maioria aceitaram eufóricos já mulheres ficam com receio sendo minoria apesar que naquele dia ninguém mais seria convertido.

     –Bem, pra que oferecer este benefício meu marido se você não vai doar pra eles hoje ? 

     –Hoje os mais velhos me deixaram fraco porém amanhã tudo pode acontecer quando eu me fortalecer e for falar com o restante dos meus herdeiros.

     –Você vai oferecer também aos filhos das outras esposas ? !                             

     Ela não consegue esconder o descaso com que convive em relação às outras esposas e seus filhos quando faz a pergunta.         

      –Sim, vou.

     Mesmo sendo um casal o amor entre eles já perdeu a muito tempo aquela chama da paixão deixando somente um burocrático relacionamento de respeito mútuo onde os maridos gozam dos maiores benefícios desta sociedade claramente patriarcal.                               

      Sobrando a Minardia apenas aceitar as decisões reais sem deixar transparecer que vai tramar na clandestinidade contra cada uma das suas rivais ou as crianças delas.               

      Em segredo ela sonha em ser rainha, que nem de longe se compara a uma primeira esposa com dever apenas de gerar herdeiros ao marido sem poder político nenhum enquanto ele estiver vivo.   

   No outro dia o rei vai visitar os filhos em seu aposento pessoal encontrando eles se alimentando das servas quase todas mortas e as ainda vivas extremamente feridas.                         

   –Meu rei socorro ! Vossos filhos enlouqueceram ! Estão nos matando…                                                                      

   –A que bom, deixaram um lanchinho pro velho pai.                 

   Assim, morre a última serva que passou com ambos aquela noite trancada no quarto quando o rei também morde ela direto naquele pescoço suculento.

   Muito bem garotos, vocês tiveram um bom desjejum matinal (café da manhã) mas se lembrem que agora o sol é seu inimigo e está quase amanhecendo.        

   –Pai, más você está sempre sendo visto iluminado pelo sol.

   –É por isto que sou o rei.                                                        

   Aquimom soube da morte de Salunia pela luz solar, mesmo assim ainda quis ser imortal já  Aquimontepe desistiu por um tempo só mudando o pensamento quando percebeu que ficaria em desvantagem em relação ao irmão.

   –Pai perdoa a bagunça que fizemos em teu aposento. Más acordamos sedentos e descontrolados.

   –Bem lembrado meu primogênito ! Se os servos vierem limpar isto o terror deles vai se espalhar pelo palácio inteiro então fechem as janelas e comecem a limpar toda essa sujeira depois durmam enquanto vou dormir em outro lugar. Sim, e antes que eu me esqueça não comam mais ninguém porque em breve vou trazer alguns selvagens pra vocês.

    Diferente de escravos, os servos podem ir embora se quiserem e muitos estão partindo do palácio por temerem a aura ameaçadora em seu rei. Imaginando o pavor causado pelas manchas de sangue com 4 corpos femininos ele trouxe alguns guardas que são muito mais leais e antecipou um sumiço pra elas nos cemitérios próximos, situação melhor a dos selvagens sepultados nos esgotos.             

    Ele tem um bom estoque de alimento vindo dos lugares mais atrasados da terra naquele tempo então vai dormir despreocupado com o projeto para imortalizar seus filhos e netos. Afinal não pode deixar eles famintos logo após serem refeitos como deuses dando assim fim numa crescente solidão que vem se instalando nele aos poucos.

    Seu sono vem fácil, livre de preocupações, enquanto do outro lado deste palácio alguém está às escondidas visitando os prisioneiros servos de Malus que acordam espantados por reconhecerem sua visitante a primeira esposa.  

   –Minha senhora, a que devo a honra de sua visita ?

  Pergunta um jovem servo com traços indígenas que sempre está tomando a frente das palavras  quando se faz necessário.                                                                

   –Se não me engano você é Jula o servo que meu filho Aquimom subornou para revelar os segredos de seu mestre Malus. Estou certa ?                                            

   –Meu mestre pode me castigar cruelmente se dizer que sim, por isso digo apenas, talvez.

   –Não seja idiota, meu filho me deixou a par de tudo que tramou e na verdade eu o apoiei totalmente nesse quesito.                                                         

   –Já que de tudo sabe diga como posso servi-la, minha senhora ?             

   –Quero assumir o trato no lugar de Aquimom pra saber informações úteis.          

   –Senhora de que vale o ouro se estou preso aqui !    

   –Neste momento meu marido está fazendo de meus filhos imortais então meu prestígio vai aumentar e vou com certeza poder libertar vocês.            

   –Nosso rei já era vingativo antes más agora que é um Deus nunca vai perdoar meu mestre ou nós que aqui servimos como isca pra de alguma forma capturar ele.

   –Deixe comigo garoto e só pense em quanto ouro terá quando sair desse lugar.

   –Más nada sei que possa te interessar e já não tenha contado. 

  –A mais meus espiões na guarda me informaram que fez meu marido recuar. Conte tudo a mim e te prometo te libertar tão logo o sol raiar no centro do céu. É uma promessa ! Me conte tudo.             

   Horas depois o dia está claro daí Altemaquilope está visitando os filhos e netos mais velhos das outras esposas começando pela segunda para depois seguir por ordem de importância política em cada casamento (afinal elas são como embaixatrizes) pois seguindo os protocolos tradicionais quer fazer deste um momento oficial recheado com toda pompa merecida nos atos cerimoniais.        

    Cada esposa vem de um reino submisso diferente. Por exemplo, a primeira Minardia veio da região hoje conhecida como Indonésia, é descendente das civilizações lemurianas desaparecidas por pelo menos 30 ou 40 mil anos atrás. Teve 12 filhos com o rei e uns 20 netos.

    A segunda é Tertraquicia vinda duma cidade estado na região da atual Índia seu povo domina    tudo ao sul do Imalaia. Teve 7 filhos e 17 netos.

    A terceira Chin Lu veio da atual china  numa região abaixo do rio amarelo hoje esquecida más que dominou tudo ao norte da cordilheira do Imalaia em seu auge. Tem 10 filhos e 13 netos.  

      A quarta Oxidanamum vem do Egito que dominava toda África naquele tempo e eram os maiores fornecedores de eletricidade em seu tempo, inundando toda a atmosfera planetária por condução iônica. Tem 7 filhos e nenhum neto por enquanto.

      A quinta Jandaia é sul americana vinda da região amazônica que foi grande produtora alimentícia daquele tempo anterior às florestas. Teve 10 filhos (sempre duplas de gêmeos) e 8 netos. 

      A sexta Catchara vinda do atual México o reino mais próximo da Atlântida e mais influenciado também. Tem 4 filhos sem netos ainda.  

     A sétima Laxitâmida é da região hoje chamada Pérsia e seu povo será o desconhecido ancestral dos pré-sumerianos. Teve 2 filhos sem netos.                                                                                  

     A oitava Salunia morreu sem ter filhos pois os evitava para manter seu marido sempre atencioso com ela que veio da região greco-mediterrânea sempre instável com revoltas e revoluções. Casada a 5 anos numa lua de mel interminável era mais jovem que todas por isto mesmo muito invejada.   

     O rei parou finalmente na frente dos aposentos dela, relembrando seus últimos momentos na sua companhia sexualmente ardente, aí amaldiçoou novamente Malus onde quer que esteja por fazer ela morrer sem ter explicado certos detalhes da imortalidade.                  

     Menos da metade dos descendentes aceitou está transformação por causa desse pequeno contra tempo solar que ele fez questão de mencionar a todos enfatizando não saber todos os detalhes nos 

procedimentos após terminados.                  

     Todos que aceitaram deverão estar a noite nos aposentos reais onde já estão amarrados alguns selvagens para alimentação assim tudo corre como planejado.  

     São ao todo 15 reunidos que aceitaram tal proposta 10 homens com 5 mulheres, todos irmãos de mães diferentes fazendo seus preparativos para abandonar a mortalidade enquanto se preparam pro anoitecer.                                                             

     Está anoitecendo enquanto Altemaquilope apreciá da sacada palaciana novamente sua cidade, infelizmente desta vez ele nada sente ao apreciar tanta beleza e ao invés disso um vazio parece ter crescido no lugar onde tinha no coração amor por tudo aquilo tão admirado.

     –Meu rei, perdoe interromper sua meditação mas teus filhos já estão à sua espera.

     –Que esperem mais um pouco Rufo, estou tentando lembrar algo que me fez começar isso tudo.

    O anoitecer chega daí ele parte aos seus aposentos sozinho,  sem ser percebido pelos que iriam acompanhalo ou aqueles a esperá-lo.

    –Boa noite crianças, espero que estejam preparados para o primeiro dia de suas novas vidas ?!

    Todos balançam a cabeça afirmativamente até os irmãos mais velhos que já estavam lá.

    –Irmãos se agrupem em fila única para receberem também a dádiva do nosso pai.         

    Enquanto Aquimom fala vai colocando na frente seus 3 irmãos mais novos por parte de mãe dai os outros vão se posicionando numa ordem tradicional segundo sua importância hierárquica.

     –Antes de começar o evento devo avisar a todos algo que não disse ainda, vocês estão próximos de um passo sem volta ou seja não tem como desfazer depois de aceitar então caso alguém queira desistir estejam cientes disso: Podem partir sem ressentimentos meus filhos.

     Como ninguém saio ele continuou explicando.

     –Mesmo vocês jamais tendo que duelar para em vitória conquistar meu lugar, ainda poderão ser reis nos reinos das suas respectivas mães fazendo de lá um governo sem fim também. Afinal, todas as casas reais são consanguíneas com a casa atlante.

     Daqui  geralmente sai algum príncipe que vai governar um reino vassalo que em caso de revoltas devem ser severamente punidos pelo fogo luminoso da purificação (armas atômicas a muito tempo desenvolvidas pelos atlantes). Assim tendo laços familiares se evitam devastações periódicas nas muitas cidades-estado espalhadas pelo mundo. Mesmo porque pela sua alta tecnologia os membros da realeza são tidos como deuses pelos mais atrasados povos desta erá.

     Procedimentos explicados então fatos são consumados, os filhos de Minardia são mordidos depois bebem o sangue dele sem problemas aí vem a vez da primogênita de Tetrarquia que pede para ser mordida no pulso a fim de evitar marcas no pescoço como as dos outros.

     –Entenda Tercudia se não beber o seu ficarei fraco para transformar os outros quando beberem o meu sangue como aconteceu no caso dos mais velhos mas compreendo que rejeite ter cicatrizes no pescoço por isso vou morder você só aqui. 

     Cicatrizes anteriores a transformação não somem igualmente fazem as posteriores então é certo de : aleijados não andarem, cegos não enxergarem, crianças não crescerem, amputados não terem seus membros de volta e nenhuma virgem poder ser desvirginada depois da mudança.

     Com isto em mente ele a morde no pulso e o sangue desce como ácido corrosivo pro estômago. 

   Altemaquilope vomita em seguida sentindo o sabor ardente do alho naquele sangue e indaga-lhe.

   –Achei que teu povo só comesse frutas. Porque comeu comida temperada com alho ?!

   –Me perdoe pai más não come nada temperado hoje !

   Ela é firme na ênfase então o pai cheira seu hálito para confirmar indo depois cheirar a boca dos outros filhos com as demais esposas constatando alho e vinho em todos. 

    –Vocês beberam vinho com alho e até isto sair dos seus corpos não poderão ser deuses como eu.   

    –Mas pai, quem nos serviu este vinho enquanto te esperávamos foram teus servos.

    –Meus servos pessoais se demitiram faz meses e só uso os do palácio…

    Nisso ele tem um estalo mental mandando chamar Rufo e fazendo com que reúna os servos atendendo em seus aposentos. Após interrogá-los não percebendo nenhuma traição neles vai conferir as jarras de vinho descobrindo uma com alho em pó.

     –Meu senhor, não acrescentamos nada a esta bebida vinda de tua adega restrita.

     Comenta um servo tremendo de medo ajoelhando enquanto fala.

     –É Claro que não foi você nem ninguém aqui presente, isto cheira a alguém manipulador acostumado a tramar nas sombras que nunca temeu punições severas. Alguém que teria como descobrir algo podendo me envenenar, alguém como MINARDIA ! 

      Ela é chamada e sem demonstrar medo algum nega tudo como já era esperado pelo rei. 

      –Eu e meus servos não saímos do meu aposento.

      –Ahaaa mas sinto cheiro de alho em tua roupa o que significa ter tido contato com quem triturou ele até virar pó para diluir no vinho. Você pode negar a vontade mulher más vai ficar presa

nas masmorras alguns dias enquanto sondo cada um dos seus servos.

     –Vai ter a infâmia de humilhar sua primeira esposa sem provas e me jogar naquele insalubre covil ?!

     –Como sabe que o lugar é insalubre ?  Oh pelos deuses como sou burro ! Você já esteve lá e deve ter descoberto os segredos pelo servo traiçoeiro de Malus que vendeu segredos ao seu filho Aquimom.                 

   Neste momento ela se descontrola liberando todo medo reprimido. Nisto Aquimom se manifesta 

mandando seu irmão segurar o pai junto com ele que ainda fragilizado pelo alho é dominado.          

   –Como ousam atraiçoar seu pai !                                

   –Sinto muito pai, mas não posso permitir que minha mãe seja ferida em minha frente.        

   –Entendo que você sempre esteve associado aos interesses da Minardia e certamente ela o doutrinou para me trair, mas ninguém vai apoiar seu golpe.

    –Pelo contrário, pai ninguém vai se opor a deuses.

    Nisso Aquimom saca uma estaca de madeira e crava no peito do pai varando seu coração, então o corpo dele murcha como um cadáver centenário. No mesmo segundo, Aquimontepe por ser seu primeiro edificado começa a se transformar em Altemaquilope.                                          

     O rei lembra que Malus havia dito algo sobre se a oitava esposa enfiasse uma estaca de madeira no seu coração só assim ficaria igual em poder ao rei mas certamente nem ele sabia como isto aconteceria realmente pois nenhum feiticeiro jamais tentou fazer algo desse nível então vê seu antigo corpo empalado e nota Aquimom ainda espantado.

     –Parece que por Aquimontepe ter sido o primeiro a beber meu sangue eu ocupei seu corpo ao ser morto então pela lógica caso morra outra vez você será ocupado agora, kkkkkkkkkk.

     –Pai, eu, eu…

     –Venha garoto, tente de novo, pegue a estaca aqui, tome e teste minha teoria. Am ?!

     Aquimom fica bestificado ao ver seu pai retirar a estaca do antigo corpo e tentar lhe entregar. Aí corre pra sacada se atirando dela numa altura de 100 metros pelo mínimo.               

     Todos que testemunharam tal acontecimento ficam sem palavras menos Minardia que grita com 

um escandaloso ímpeto enquanto tenta alcançar o filho na beirada da sacada.

     –FILHO NÃO !

     –Não se desespere minha esposa, uma quedinha dessas nunca mataria seres como nós. Lá no chão veja ele já levantado e continua correndo.

     –Incrível ! Ele ainda está vivo. Ele é como um, um Deus !

     –Um covarde que deixou a mãe receber sozinha todos os castigos merecidos. Agora venha.

     Ele pega Minardia pelo antebraço a retirando da sacada e depois chama os guardas estonteados ainda com tantos eventos fantásticos.        

     –Guardas levem a primeira esposa para prisão sob pena de traição. Quanto ao meu filho Aquimom deve ser preso quando encontrado pelo mesmo motivo.

   Os filhos que não puderam ser transformados são mandados de volta aos seus aposentos enquanto aqueles em estado de mudança ficam retidos nos aposentos reais logo depois o rei tira as roupas do filho mais velho pondo trajes mais adequados e vai visitar alguns prisioneiros.   

    –Jula, me fale agora tudo que quero saber ou vou mandar os meus soldados te executarem neste mesmo momento. Entendeu ?                                                                                                         

    Ele responde afirmativamente, depois explica ter contado tudo que sabia à primeira esposa como por exemplo sua fraqueza com estacas mas esqueceu ou evitou avisar do detalhe de todo seu sangue ser bebido antes pelo agressor para ter poder igual ao seu.                        

    –Ela me prometeu liberdade para hoje ao meio dia, assim como não aceitaria ajudá-la ?!      

    –Idiota daqui nem dá pra saber se é dia ou noite.

    –É questão de confiança na palavra real, meu senhor.

    –Pois saiba que ela está presa aqui também agora numa cela do andar superior.         

    –Eu entendo que ela não poderá manter a palavra mas se meu rei puder concluir sua promessa me deixaria muito agradecido.

    –Só quando eu encontrar Malus.   

    –O senhor meu rei vai matar meu mestre ? Por causa da morte acidental de tua esposa ?

    –Não, devo supor que mantê-lo vivo será melhor pois a muitas coisas da minha nova condição divina desconhecidas para mim.

    –Desconhecidas para todos meu rei, o pouco que sei foi a partir de muitos estudos e deduções.

    –Dedução ! … 

    Escutando esta palavra o rei lembra que Malus a usava muito quando ia dar opiniões sobre sua condição. Nisso imagina deles serem muito apegados por serem mestre e discípulo tendo uma ideia

baseado em relatos antigos.

    Sacerdotes são famosos no quesito da adivinhação que corresponde a: prever o futuro, adivinhar pensamentos e outras façanhas.

     Daí ele deduz: e se ambos estiverem em contato mental neste momento com Malus a cada letra         influenciando Jula. Assim ele resolve lançar um blefe torcendo para dar certo.

     –...se ele voltar aqui eu prometo que perdoarei e restituirei seu cargo ao meu lado.                           

     –Palavra de rei não pode voltar atrás e se me perdoou aqui estou.         

    Para seu espanto, Altemaquilope vê a face de Jula desaparecer e em seguida tomar seu lugar outra bem sumida.                      

    –Malus, você estava aqui o tempo todo ?!

    –Não se enfureça meu rei, eu tinha medo por minha vida. Afinal sou só um sacerdote infeliz.

    Ele explica que quando conversaram pela última vez o rei disse algo sobre cuidar em breve da inconfidência dos seus servos, aí ao voltar nos aposentos dele fez Jula confessar ter vendido informações a Aquimom e baniu-lhe dali. 

    –Aí em vez de me informar para eu poder confrontar meus filhos com provas, preferiu banir seu aprendiz !

    –Era uma briga da família real onde o sangue sempre fala mais alto e as punições fatais sempre caem nos servos. Aí mandei que pegasse uma carruagem de fogo (transporte aéreo popular)  para voltar ao seu reino naquela noite mesmo. 

    –E porque tomou a forma dele quando fui te procurar ?

    –Achei que estava procurando ele e queria dar-lhe tempo de fugir. 

    –Me fazendo de tolo por todo esse tempo !

    –Queria salvar meu filho no começo mas depois percebi que me culpava pelo acidente com sua esposa e fui ficando no disfarce, desculpe.

    –Jula é seu filho ! Por isto fez dele aprendiz entre estes inúteis.

    O rei fala isso apontando aos demais na cela demonstrando total desprezo pela vida humana na escala mais baixa da hierarquia social.  

     –Meu único filho e apesar dos dissabores não posso deixar que lhe aconteça qualquer mal.

     –Quando o conheci, Malus tu tinha mais amor ao ouro do que a qualquer outra coisa.

     –De que vale o ouro sem liberdade ou paz para usufruir dele ?!

     –Só mais uma pergunta, o verdadeiro Jula sabe tanto quanto você sobre seu feitiço que me fez ?

     –Ele ainda não sabe invocar demônios, então nada sabe.

     Altemaquilope pegou o símbolo religioso escondido no colar entre as roupas de Malus sentindo dor primeiramente depois fazendo a peça queimar deixando todos confusos naquele começo mas aí depois percebem nos seus olhos quais são suas intenções. Os gritos de morte vindos da cela  aterrorizam até guardas torturadores acostumados a ações nefastas que tudo escutam bem longe. 

   Os dias passam lentos enquanto Altemaquilope espera seus filhos eliminarem do corpo o alho ingerido, já aqueles transformados ficam ao seu lado aprendendo segredos da imortalidade.

    A companhia de iguais lhe faz bem enquanto trata dos assuntos oficiais no salão real tanto que mandou instalar assentos adjacentes ao trono para ter eles sempre envolvidos com as formas do 

tradicional governo atlante. Por exemplo naquele dia Rufo traz uma requisição dum selvagem aprisionado num depósito particular da realeza.

     –O que pode ser tão importante pra um selvagem ser trazido à minha presença conselheiro ?

     –Ele se diz um líder tribal senhor e tem uma proposta a lhe fazer.     

     –Bem, então vejamos o que este inferior tem a dizer ha,ha,ha,ha,ha.        

     O selvagem se aproxima acorrentado e acompanhado por guardas no salão até a frente do trono. 

     –Grande Deus dos deuses eu sou Gipis o rei xamã dos ciguis e trago uma oferta ao senhor. 

     –Tu estando preso em minha dispensa teria algo para oferecer a mim que não possa tomar ? Ha.

     –Fidelidade meu senhor.

     –Como assim, fidelidade ?!

     –A minha fidelidade, a da minha tribo e a das aldeias do meu território senhor.

     –E de quantos fiéis está falando ? 

     –Tantos quantos existem estrelas no céu senhor.

     Repentinamente o interesse do rei é despertado fazendo ele deixar de desdenhar aquele homem

mau vestido com peles fedorentas, barbudo e cabeludo.

      –Vou considerar seu pedido. Más declare lealdade a mim em nome do seu povo e me traia pra ver o que acontecerá ao seu território.

      –Minha palavra vale por todos os ciguis daqui até a eternidade.

      –Veremos então. Retirem as correntes deste homem. Vá ao depósito e liberte seus compatriotas (6 pelo menos), depois apresentem-se a Rufo para serem meus servos pessoais.

      Gipis logo parte para libertar seus familiares da dispensa lotada de selvagens, deixando os filhos do rei que antes riram com ele agora curiosos.

      –Pai, para que ter estes tipos ignorantes a teus serviços ? Se temos bons servos palacianos. 

     –Aquita como tu bem sabe tua mãe subornou boa parte dos palacianos; não tenho confiança neles e os meus pessoais se demitiram por puro medo. Só restaram aqueles que declaram lealdade. 

   Aquita sendo a mais jovem entre os três, têm sempre mais atenção do pai que de vez em quando diz dela ser uma deusa da beleza.

   –Por falar nela pai quando poderei visitar minha mãe ?

   Ele faz um olhar de reprovação sem responder nem lhe dar mais atenção. 

   –Quer dizer então que dos teus servos pessoais ninguém poderá se alimentar ?    

   Aquilom o mais velho deles quebra o clima carregado que ficou na sala do trono real.

   –Para isto estamos trazendo selvagens nas carruagens de fogo a cada 10 dias. Comendo um por dia estaremos fartos e despreocupados por anos, mas tudo isso deixa os mortais amedrontados aí ter servos leais entre eles está ficando difícil.

    Aquiti faz daí a pergunta que todos tinham pensado mas ninguém tinha coragem de perguntar.

    –Pai se eles forem bons para ti o senhor fará deles imortais como nós.               

    –Não, eu ainda preciso dos servos na luz do dia comigo além do mais nunca de pérolas a porcos

porque jamais eles irão reconhecer uma dádiva quando for oferecida.

    –E nós podemos oferecer esta dádiva a nossas esposas ou companheiras pai ?

    –Há muitas questões para se pesar quando esse momento chegar Aquiti, afinal nosso número jamais pode ser muito grande ou faltará alimento por exemplo.                                              

    Novamente adentra o salão real Rufo com notícias sobre outro filho.

    –Senhor a relatos que Aquimom esta atacando rebanhos no interior do continente continentes e já o nomearam como um monstro chupador de cabras.

    –Eu fico triste ao saber disto, mas que isso sirva de lição a todos vocês. Nunca se deixem levar pelos interesses alheios nem sejam ambiciosos ao ponto da traição contra mim.

    Horas depois Altemaquilope vai ao seu aposento ver seus novos servos deixando seus filhos pensativos sobre qual será seu destino.

     –Boa noite senhor. Se desejar dormir agora já organizamos seu quarto conforme orientado. 

     –Gipis já é quase manhã, você esteve acordado até agora me esperando ?         

     –Sim senhor. Vocẽs ai dispam o rei e vistam nele seu pijama.

     –Me fale sobre seu território Gipis enquanto me preparo pra dormir.    

     –No inverno neva muito e toda água fica dura (vira gelo). No verão neva menos, aí podemos caçar os narigudos gigantes (mamutes).

   Eles vivem no final da última era glacial quando América do Norte, Europa e parte da Ásia estavam cobertas por geleiras periódicas anuais.      

   –E teu povo, me fale dele.       

   –Não a muito pra dizer senhor, os Arios (arianos) estão nos expulsando faz muito tempo do nosso território original chamado terra do rio (Índia) ai estamos povoando o Transil (atual Romênia)  faz uns séculos e estamos acostumados com nossa vida viajante (nômade). 

    –quando nos vimos você disse ser shaman além de rei.

    –Sim, aqui isto significa dizer sacerdote, curandeiro e feiticeiro senhor.       

    –Deixe o tratamento formal de senhor para quando estivermos na presença dos estranhos, aqui estamos entre “amigos” agora me fale se já invocou demonios.            

     –Nunca sen… digo. Nunca tentei porque eles cobram muito caro aos tolos que pensam ter algo de benefício nos poderes deles.  

      –Como assim cobram caro ? já ouvi falar também desse tal preço.

      –Os demônios querem o espírito dos mortais para devorar e quem faz acordos com eles logo morre sem aproveitar muito tempo aquilo que pediram.

      –Por isto ninguém quer fazer esta magia de imortalidade ?

      –A mortandade faz parte do ciclo da vida, se um mortal não morrer ele trará morte pra tudo ao seu redor de um geito ou do outro.

      Apesar de grosseiro Gipis demonstra ser bastante sábio por ter sido preparado para governar mesmo assim não se compara a Altemaquilope com tanto refinamento ao seu dispor, mas que relembrando ter executado aquele tolo o suficiente para tornar-lo imortal se sente o ignóbil bruto.

     –Então nenhum Deus de luz faria algo assim ?!

     –Nenhum.

     –Estou satisfeito contigo Gipis, vou te mandar de volta ao seu território e tu ficará sob minha proteção assim como seu povo enquanto me servirem.

      –Obrigado senhor.

      –É claro que estando barbeado, de cabelo cortado e com estas roupas leves não vai sobreviver um dia lá ha, ha, ha. Vamos preparar tua viagem para amanhã assim que me acordar,

      Eles vão repousar e naquela noite uma das filhas de Gipis se oferece para dormir com o rei.

   Um novo dia começa e Altemaquilope acorda disposto pelas duas horas da tarde. Ele confere se a jovem ao seu lado ainda está viva após os sonhos atribulados que teve durante seu sono. Neles estava voando como um morcego atacando animais de criação (lhamas) nos campos depois indo dormir numa caverna tendo estalactites e estalagmites. 

    Ainda sonhou fazendo sexo com os parceiros dos filhos transformados inclusive o da filha, mas ai ele era uma mulher coisa que lhe deixa confuso. 

   Talvez procure um adivinho mais tarde, porém sua preocupação imediata é outra: levar seu servo de volta ao povo dele vendo se servirão como servos ou alimento.

   Assim, constatar se a filha do Gipis está intacta após tantos impulsos oníricos é de bom tom aos seus interesses. Ela acorda praticamente sendo revistada dizendo palavras em sua língua natal que até ontem ele não compreendia nem sabe como aprendeu.      

   –Ai, você já quer de novo ! Devia ter trazido uma ou duas irmãs minhas pra me ajudar. Nem dormindo esse velho sossega !                              

   –Que falta de respeito é essa garota !

   –Você fala minha língua ? Más quando aprendeu ? Se ontem nada entendia de mim !

   –Não conheço todos os meus poderes ainda, no entanto quando me beijava lembro que cortou a língua num dente meu. 

    –Sim, sangrei na tua boca sem querer.

    –Neste momento comecei a entender algumas coisas que falava, garota…

    –Meu nome é Vanila.

    –Mas só algumas coisas porque realmente ninguém entende as mulheres totalmente. Ha,ha,ha.

    Vanila tem 15 anos, foi entregue para agradar o rei ainda virgem, apesar de parecer experiente apenas obteve informações úteis das irmãs mais velhas e veio satisfazer um poderoso conquistador como mandam as regras da boa etiqueta.

    –Vá chamar Gipis e os demais para eu me vestir. Hoje temos muito a resolver.                                 

    –Ai para de beliscar minha bunda. UIIIIiiiii !   

    Ela obedece enquanto ainda deitado na cama Altemaquilope pensativo tenta imaginar formas de aprender a descobrir todos os seus poderes e como lidar com eles pro seu melhor benefício.      

     Logo uma carruagem de fogo real está preparada para levar o rei com um pequeno cortejo. 

   Sem querer chamar atenção desnecessária dos atrasados moradores das regiões selvagens esta nave segue sem escolta da guarda real a não ser pelos soldados dentro dela como tripulantes, então 

deixando as tropicais praias atlantes chegam num pulo pela estratosfera em relevos acidentados nos gélidos vales europeus.  

    Na cabine de visualização está o rei com seus dois filhos homens cobertos para evitar a luz solar, mas Rufo no comando dos poucos servos palacianos que vieram mais Gipis fechando esse grupo.

    Demorou quase duas horas de viajem tempo este passado com os passageiros contando histórias

sobre diversas coisas: Como  Gibis que descreve como aprendeu contrariado este idioma trazido por seus ancestrais da terra do rio (Índia) porém jamais falado pelo povo Cigi comum no cotidiano deles dando graças aos deuses por apanhar tanto até aprender ou Rufo trilhando sua árvore genealógica até chegar num bisavô comum a todos também rei atlante.

    –Pois bem como meu avô perdeu a disputa com seus irmãos mais velhos quando morreu o pai deles apenas nas questões físicas; ele foi treinado como conselheiro e virou tradição de família.

    –Quer dizer que sendo teu avô muito novo na tal época ele não teve chance contra o meu avô ? 

    –Se um rapaz de 14 anos seria páreo para um homem de 30 foi só nas questões de sabedoria, meu rei: matemática, história, geografia…

    –Daí por isso acha que o treinaram ? Nada disso caro Primo, o treinamento foi como os de muitos outros conselheiros do palácio, só pra manter a família real unida. 

     Claro que Rufo não ambiciona o trono por ser descendente dum antigo rei como tantos outros e todos sabem disso, é uma rara exceção de um ramo familiar conformado com seu lugar na autarquia real. Mais importante a tudo isto foi manterem talentos em posições altamente requisitadas. 

     Interrompendo as narrações do rei, o piloto alerta deles terem chegado onde queriam, O lugar em que Gipis foi capturado.   

     –Vamos descer Gipis.

     –Más o senhor não esta agasalhado direito; com estas roupas leves vai morrer congelado.

     Ignorando a recomendação de Rufo ele deixa o peito desnudo para receber ainda mais frio seguido por Aquilom que também deseja imitar seu pai mas quando Aquiti tenta fazer do mesmo jeito é repreendido por ele.

   –Nem mesmo eu sei se posso suportar o frio lá fora então vou precisar de alguém aqui dentro pra conduzir as coisas enquanto exploro este lugar, por isto fique aqui filho.

   –A uma nevasca se aproximando senhor não podemos demorar muito ou ficaremos presos aqui.

   Novamente ignorando Rufo ele sai da nave seguido pelo servo e Aquilom pisando a neve fofa.

    –Veja Aquilom estas formações rochosas nos rodeando fazem uma proteção perfeita contra todo tipo de ataque inclusive do fogo divino (bombas atômicas).

    –Existem lugares melhores pai, com climas mais convidativos.

    –Sim, com certeza, mas sinta quanta magia natural pulsa aqui. Com ela os moradores deste lugar ficam afetados junto aos seus descendentes.    

    –É senhor, muitas das nossas mulheres veem o futuro das pessoas pelas palmas nas mãos delas. 

    –Aquela brincadeira que a garota fez na minha mão ontem Gipis. ha, ha. Ela me disse que minha mão é de um morto ha,ha. Logo eu um imortal !

     –Ela é minha filha e jamais mentiria lendo a mão de alguém. Os deuses a castigariam ! 

     –Castigariam ! Deixe-me dizer a verdade sobre estes deuses, eles vivem nas estrelas e às vezes vem pessoalmente mas na maior parte das visitas apenas projetam suas mentes em nosso mundo sem se importar muito com nossas vidas.

     –Senhor, essas heresias podem nos condenar. Por favor não fale isso em voz alta.

     –Não se preocupe Gipes, eles nem ligam como vivemos nossas vidas a menos que isto vá contra seus interesses. Afinal estão muito longe pra poder interferir conosco vindo só em espírito para nos orientar nos mistérios cósmicos que vocẽ chama magia mas na prática é alta tecnologia.

     –E quanto aos demônios pai ? qual a diferença deles pros deuses ?

     –Eles não se alimentam de fé Aquilom, preferem a energia liberada nos espíritos pela dor para se manterem em nosso mundo. Nunca se apegam nas regras preferindo seguir seus próprios caprichos satisfazendo nossos instintos sem dar importância pras consequências.                

     –Pai a algo errado com minha mão veja, não consigo fechá-la.

     –Deixa eu ver.

     No momento que Altemaquilope pega num dedo de Aquilom forçando para dobrar, ele quebra como porcelana fazendo o rei mandar seu filho voltar à nave.

      Logo depois o clima começa uma lenta e inevitável mudança. Más antes da visibilidade acabar.

   –Gipes, teu povo deve estar longe e eu devo voltar daqui.

   –Como desejar senhor.

   Eles estavam a uma distância relativamente curta ainda da nave andando numa trilha que levava para cavernas que servem de refúgio aos Cigis.

    –Tu deve transmitir minha mensagem a eles de que agora são meus protegidos então: devem aprender tua língua ancestral, esquecer essa, manter esta tradição de ler o futuro nas palmas das mãos e nos falar onde se escondem outras tribos inimigas da sua. Em breve eu vou voltar já esperando estas coisas  você entendeu tudo ?   

    O rei fala na língua Cigi que aprendeu com Vanila surpreendendo Gipis por uns segundos mas responde afirmativamente.

    Eles se despedem ai Autemaquilope apanhando um punhado de terra no chão, corre para a nave, 

avalia sua velocidade e chega já dando ordens para partirem.

    –Sim senhor, estamos saindo bem no momento da nevasca cair.

    –Achou que iria esquecer vocês, Rufo ha, ha ?! Agora tracem uma rota para as áreas de caça, pois eu mesmo vou buscar selvagens.       

    –Sim senhor !

    –Aquilom, isto é pra você, aperte forte.   

    –Terra pai ?!   

    Ele põe a terra na mão que perdeu o dedo mindinho fazendo ela fechar e manda seu filho descansar um pouco enquanto seguem viagem.

    A noite está estrelada na ilha cêutica (Inglaterra) e eles não demoram para chegar na sua costa gelada (meia hora) preparando uma incursão de caça.  

    –Muito bem guerreiros, eu e meus filhos vamos na frente enquanto vocês nos dão cobertura no preparo das correntes pra levar os cativos.

    –Pai veja meu dedo cresceu de novo !  

    –Aquela região tem muita magia natural favorável a nós imortais. Agora entendeu porque em breve vou instalar ali uma base fixa, talvez um castelo.    

    A nave abre outra vez sua comporta, deixando o grupo descer numa praia congelada perto da floresta logo penetrada por eles.

   –Vamos garotos, depois eles nos alcançam.

   –Eu sinto cheiro de sangue a muitos quilômetros naquela direção.

   Aquilom aponta para o lado de onde desagua um grande rio congelado então eles correm mata a dentro naquela direção seguidos ao longe pelos guardas.

   Correndo pela noite os três parecem incansáveis enquanto sobem em árvores e cruzam vales.

   Do topo de um pinheiro avistam uma aldeia tão rústica que lembra a dos homens pré-históricos.

   –Estão todos dormindo ao redor da fogueira nas barracas de peles pai, será um abate fácil.

   –Evitem o desperdício, matem só aqueles impossíveis de capturar e deixem aquela com cabelos amarelos para mim. 

   De cima ele acha aquela mulher semelhante a Salunia mesmo sendo ambas de povos diferentes ai

se lança no ar em seu caminho ainda duvidando daquela visão daí por isso nada comenta com seus filhos. Durante o salto eles quase flutuam planando como morcegos enormes acima dos indefesos nativos que dormem profundamente sem jamais esperar ataques aéreos.      

   Aterrissando entre os arredores da fogueira, o trio domina primeiro os dormindo sem barracas se aquecendo no fogo, depois vão capturando quem sobrou numa incursão rápida e cirúrgica. 

   Dos 35 apenas 6 morreram devido uma inútil resistência que no final só serviu para o trio ir saciando sua sede enquanto esperam apoio chegar trazendo correntes mais eficazes em vez das cordas usadas provisoriamente. Nisso Altemaquilope tenta se comunicar com a sósia de sua esposa

morta mas vendo não terem idiomas comuns aos dois faz aquele procedimento acidental feito na Vanila, porém beijando esta mulher forçadamente fere também sua língua junto da dela.    

    –Você me entende agora ?

    –Sim, maligno !

    Ela responde enquanto cospe na cara dele uma mistura de: sangue, saliva, lágrimas e catarro.

    –Me diga quem é você e sobre seu povo. 

    Ele ordena enquanto limpa o rosto com a própria mão que iria matá-la mas mudou de ideia antes mesmo dela perceber aquela primeira intenção.

    –Eu sou Zeprina a curandeira do meu povo os Cenus (ancestrais dos Celtas).

    Tentando hipnotizá-la como fez outras vezes sem perceber só que agora tendo experiência nessa

ação o rei descobre poder fazer contatos telepáticos com ela.

   –O que nosso pai esta fazendo com aquela selvagem nojenta Aquilom ?

   –Estou mais preocupado com a demora da guarda real do que com os casos de meu pai. 

   –Calma, o Rufo não seria louco de nos abandonar aqui pra tomar o trono porque assim que chegássemos num reino submisso mais perto e tomássemos um veículo ele estaria morto.      

    –Aquiti não seja tolo, Rufo nem tem interesse no poder e minha preocupação é mais premonição do que algo sério.

    Nisto a nave da categoria carruagem de fogo sobrevoa aquela clareira trazendo Rufo e escolta.

    –Estávamos esperando a escolta chegar com as correntes andando e não de carona aérea !  

    –Sinto muito estragar sua caçada príncipe Aquiti mas recebi mensagens imprescindíveis pro rei.

    –Se conseguir tirar ele de perto daquela besta fedida pode encontrá-lo ali.

    Aquiti aponta para perto duma árvore onde estão sentados de frente um ao outro o rei e Zeprina.

    –Senhor desculpe interromper porém temos problemas na capital. Meu rei ! MEU REI !

     Ele esta com a testa colada na dela enquanto ambos ficam alheios às distrações do conselheiro.

     –Se você não tiver um motivo muito importante pra me interromper balançando meu corpo feito chocalho juro que vou desmembrá-lo eu mesmo. 

     –Senhor alguém está matando seus filhos no palácio real !

     –O QUE ? !!!!

     Os prisioneiros são esquecidos a não ser por Zeprina embarcada nos ombros do rei que chama todos para dentro com urgência deixando príncipes desapontados e tripulação espantada.

     Logo a nave está de volta na estratosfera retornando para Atlântida e ele pede detalhes de tudo. 

     –Não souberam explicar exatamente senhor más quando estivermos mais próximos teremos uma recepção e transmissão melhor pra entender.                                                                       

     Duas horas passam como 2 dias para quem está ansioso em chegar e assim que chegam…

     –Reúnam todos os meus conselheiros no salão real e alguém me ponha a par do que ouve aqui !                      

     Ao que tudo indica Aquita querendo ver a mãe usa algum poder dominador nos guardas forçando neles uma desobediência na ordem real para não liberar sua entrada na carceragem daí uma presença sombria sai de lá atacando as câmaras privadas das familias reais matando os herdeiros querendo ser imortais.  

     Antes de qualquer coisa o rei vai na cela da esposa encontrando a filha lá.

   –Pai, deixe-me explicar o que aconteceu.

   –Não precisa, eu posso descobrir tudo perguntando direto ao seu sangue. 

   Ele usa o novo poder de entrar em contato mental com quem compartilha seu sangue colocando sua testa na dela. Imagens desconexas invadem sua mente até fazerem sentido onde uma vontade indomável faz ela procurar sua mãe quando a expedição sai para Europa usando hipnose nos guardas e ao encontrá-la descobre que já havia alguém ali. 

    Aquimom invadiu assim que sentiu a partida deles do palácio, aí transformou sua mãe atendendo ao pedido dela, depois saio dali jurando matar quem desmerece ser imortal.  

    As buscas por ele foram emitidas logo em seguida más nada encontraram, assim como Minardia que sumiu também.   

   –Como única sobrevivente deste genocidio eu exijo justiça aos meus irmãos meu pai !

   –Tercudia, minha filha, perdoe seu tolo pai que jamais pensou ter filhos tão ingratos e invejosos.

   –Então me concede imortalidade agora pra evitarmos mais sabotagens destes privilegiados filhos prediletos, réus que sempre saem impunes nos julgamentos façam o que fizerem.

   –Tu ainda tens resquícios do alho no teu corpo mesmo assim beba meu sangue se acha que terá sucesso nisso só não me culpe depois.

   Tercudia pede perdão pelo desacato más continua exigindo justiça pelos 11 irmãos falecidos que também são uma crise diplomática por causa das suas mães cada uma com pelo menos 2 filhos mortos que farão os reinos submissos se rebelarem caso permita impunidades.

    Contrariado, ele tenta apaziguar os descontentamentos crescentes inclusive os na sua própria consciência, aí procura Zeprina cuja preparação pelas servas a deixa tão bela quanto já foi sua antecessora e relaxar em paz.

    Os sábios procurados pelos conselheiros afirmam que todos tivemos, temos e teremos gêmeos da grande mãe natureza.   

    Assim o rei faz dela uma substituta oficial de Salunia que também a imortaliza, causando ofensas gerais pela conturbada corte intimidada pela aura maligna emanada nele.    

    Então naquela mesma semana uma reunião ministerial é convocada com fins de tratar sobre toda

questão pendente: traçando metas, deduzindo erros, evitando falhas, calculando despesas, revendo 

soluções, abafando indignações mundiais por capturar selvagens ou nada disso por enquanto.

   –Pai, gostaria de saber o que será de nossa irmã Aquita ?! 

   –Por enquanto ela ficará presa onde estava sua mãe, porém na falta de Aquimom alguém deve ser executado e você vê outra pessoa melhor para isso Aquilom ?!

   –Não pai.

   Altemaquilope ainda nem sentou no trono e já começam os muitos questionamentos sobre suas ações futuras. 

    É claro que os filhos de Minardia estão sob total suspeita por isso ninguém ousa pedir pela irmã

presa mudando o assunto para política externa. A questão sobre uma nova representante do reino submisso greco-mediterraneo foi levantada outra vez, pois manter estes povos quase bárbaros em harmonia com seu império é muito relevante. Num momento de pausa ele medita como Aquimom pode sentir sua ausência na capital se nem ele conseguiu ter tal poder até agora aí olhando os irmãos mais novos dele analisa rapidamente que talvez esteja cometendo novamente o mesmo erro de confiança exagerada afinal foram aqueles mais velhos da casa deles, traidores.

    Finalmente resolve sentar no trono durante estes devaneios para melhor se inteirar das muitas demandas levantadas nesta reunião, disparando inesperadamente uma armadilha posta abaixo do assento, basicamente uma estaca sob o empalando do anus até a boca chocando todos os que ali estavam presentes.

    Logo seu corpo se resseca como da primeira vez ai sua essência ganha consciência num outro lugar distante e escuro.

    –Olá marido, você consegue me ver ?!

    É Minardia a sua frente descrevendo toda situação em que se encontra num tom de ironia com muita crueldade.

    –O que aconteceu ?!

    Ele pergunta ainda desnorteado 

    –Pedi que meus filhos armassem um dispositivo em teu trono ai quando você sentou ele foi acionado enquanto já preparado Aquimom num sarcofago te esperava para que tomasse seu corpo

amarrado com correntes de prata e imobilizado até no pescoço.

    –Você não vai conseguir tomar o poder de meu governo assim mulher, eu já deixei avisado que todos membros de tua casa no palácio são suspeitos caso algo me aconteça.

   –Não me faça sorrir, eu já plantei provas incriminando Rufo de toda a trama deste assassinato e meus filhos jamais serão incriminados.

   –Sim, más as competições acontecem de dia, na luz do sol com todo povo assistindo então como teus filhos vão ter alguma chance contra os outros príncipes ha, ha, ha ?

    –Muito simples, estamos no inverno marido aí para proteção da chuva as competições serão no interior do palácio.

    –Você é mesmo um gênio do mal. Eu deveria tê-la matado quando tive chance !  

    –Devia mesmo mas agora nunca mais terá, ficará preso aqui embaixo por toda eternidade sem jamais ver a vista da cidade que tanto amava nesta cripta.   

    Por coincidência a tal cripta fica no mesmo cemitério onde aconteceu o feitiço da imortalidade.

    –Vamos Minardia, ainda a tempo de parar essa loucura me liberte e como punição apenas vou te bani pro seu reino mas do contrário quando conseguir sair daqui vai desejar a morte mil vezes.

    –Nunca vai conseguir sair daí porque tive ajuda de quem sabe como te destruir.

    Ao lado dela, Julo o filho de Malus está com a parte de cima do sarcofago pronto para vedá-lo. 

    –Olhe pra mim eu sou Louti Julo filho do homem que matou por puro desprezo e foram me buscar de longe só pra acabar contigo.

     –Espere garoto.

     O rei tenta argumentar enquanto esta sendo totalmente contido com a tampa do sarcofago na parte de cima, mas Minardia ainda tripudia no último segundo.

     –Ai só vai ter com muita sorte baratas para comer por muito tempo como meu filho Aquimom teve na caverna onde se escondia. Más antes que me esqueça me diga: foi dolorido quando a estaca rompeu teu anús até o coração ? Porque sempre dizia pra eu relaxar que o gozo viria em nosso leito mas ele nunca vinha.  

      Ele relembra que Julo não era tão culto quanto o pai porque se a estaca perfurasse seu coração na luz do sol certamente morreria sem poderes nem iria para outro corpo. Não, ele nunca soube disto então relaxando sente como Aquimom todos os imortais ai planeja vingança e que talvez ainda verá outra vez aquela paisagem fascinante algum dia, quem sabe um pouco mudada porém sempre linda, em fim aqui é a eterna Atlântida.   

                                                                       FIM

                                                                         














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